Bebido o leite vencido, comido o pão amanhecido (esquentado na frigideira, para se tornar mais mastigável), e Ricardinho estava pronto para tomar um banho de cultura e conhecimento ocidental imprescindível à formação plena de um cidadão num país civilizado (de acordo com o Estado), para tomar o tempo e despezas de pessoas e instituições que, graças a Deus, se propõem a dar subsistência ao filho (na visão de Ana Clara), e para nada(como Ricardinho se sente).
- Menino, vai pra escola. Vou visitar o pastor.
Preferia os pastores alemães, o menino.
Levantando, dirigiu-se à porta. Não estava úmida, nem fria. Notou a relação entre o brilho do Sol e essas características notadas: quanto mais brilhante a luz solar, menor a umidade e o frio sentidos no toque da maçaneta.
Pelo caminho até o prédio da comida ruim, das distrações e professoras tristes, e das crianças imitantes, já sentiu Ricardo maior interesse. Nos primeiros dias de aula, notou a quantidade de carros azuis. Amarelos. Brancos. Pretos. Cinzas. Rosas. Por rua. Por minuto. Com adesivos. Desgastado o tópico carro, passou às pessoas. Quantas são gordas. Magras. Com roupa azul. Amarela. Branca. Preta. Cinza. Rosa. Sem camiseta. De óculos. Com mochila. De bíblia em mãos. Arrastando-se. Também esgotadas as pessoas, passou a tentar a avaliar as núvens. Porém, padeciam de detalhes exatos, e o interesse por elas se esvaiu. Era o seu quinto dia de aula, e apenas o extraordinário traria algum gosto ao computador da mente de Ricardo. E não foi hoje tal dia. Encontrava-se já em frente ao monótono prédio escolar.