Blog do Lucas para textos

Feito para colocar meus textos, e não os esquecer.

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Arquivo de: Janeiro 2008

30.01.08

Naturalidade, estupro e homossexualismo

Entre os homofóbicos roda o argumento da perversão dos homossexuais á ordem natural. Em linhas semelhantes, os moralistas condenam o estupro.

Essa tal ordem natural, natureza, Deus, cosmos, força superior etc, não leva em conta nosso judicioso ímpeto de dar significado e sentir as coisas em harmonia.

Atrevido o último argumento, chega a feder niilismo. Mas pense bem. Se a ordem natural é rompida, haverá a consequência moral dos atos contra a natureza. O próprio cosmo supremo dará conta de punir o malfeitor, não importa quem seja.

Vejamos então. Macacos machos estupram as fêmeas quando elas não consentem copular. Ocorre de eles transmitirem seus genes, e, de acordo com a biologia, saírem ganhando. Onde está a força superior? Porcos machos fracos, que não conseguem acasalar, praticam homossexualismo, e fazem parte do grupo das fêmeas. Não é registrado nenhuma punição ao imoral ato desses porcos. Também os leões, ao tomarem posse de um território, anteriormente liderado por outro leão, matam todos os filhotes do antigo macho. Tal malefício passa batido pela justiça cósmica. E sem contar os milhares de artrópodes, cujas crias são abandonadas por eles ao relento.

Ai sugerem a falta de discernimento de tais criaturas. Mas o Universo não devia ser seleto quanto aos seres a receberem a Justiça. Não seria justo.  Ou seria? Pois nesses momentos os moralistas se confundem.

Pela aleatoriedade, o mundo é organizado. Certo e errado não têm lugar nesse contexto, e a moral morre. Sentir aversão a algo não é errado, nem certo. E quem justifica a aversão com a ordem superior, comete uma falácia. O cosmo ordenador é recurso daqueles cujas mentes sentem o vazio do significado.

  • criado por  lucasbizarria criado por lucasbizarria
  • Postado em 13:26:08

29.01.08

A bola e a democracia

Título estranho. Um apetrecho muito utilizado, e parte fundamental para o funcionamento de muitos esportes praticados atualmente, e um sistema de organização política, herança dos gregos (claro que com diferenças drásticas em relação ao original praticado na antiguidade) e hoje considerada a melhor forma de governo pela grande maioria das nações.

Há um atrito (figurado) entre esses dois seres, em especial no Brasil.
Acontece de nos picos gloriosos do exercício da democracia, nas épocas da eleição, aparece a bola. O brilho ofuscante dos jogos internacionais, a copa de ouro apresentada em uma festa magnífica, todos comentando sobre o desempenho dos jogadores, e, em seguida, decidir os caminhos de toda a nação. Pão e vinho se tornam bola e pompa nesses momentos. Ai o povo, preparadíssimo para decidir quem representará seus interesses, corre a votar nas urnas (aliás, eletrônicas), não por interesse próprio, mas para não cair na burocracia sufocante consequênte da negligência do cidadão não votante.

Discernimento é consequ
ência de preparo. E um povo já vitimado pela escassez de educação e oportunidade não é capaz de ter sua totalidade "exercendo" a cidadania imposta

Logo, a interpretação sobre a neglig
ência entra em um impasse:
é de fato o cidadão semi (ou completamente)-analfabeto o negligente, ou a organização do povo não o prepara para decidir e ainda permite distrações em momentos de grande import
ância política?

Onde está a educação?
  • criado por  lucasbizarria criado por lucasbizarria
  • Postado em 20:03:56

12.01.08

Capítulo 2 Caminho AL

Bebido o leite vencido, comido o pão amanhecido (esquentado na frigideira, para se tornar mais mastigável), e Ricardinho estava pronto para tomar um banho de cultura e conhecimento ocidental imprescindível à formação plena de um cidadão num país civilizado (de acordo com o Estado), para tomar o tempo e despezas de pessoas e instituições que, graças a Deus, se propõem a dar subsistência ao filho (na visão de Ana Clara), e para nada(como Ricardinho se sente).
- Menino, vai pra escola. Vou visitar o pastor.
Preferia os pastores alemães, o menino.
Levantando, dirigiu-se à porta. Não estava úmida, nem fria. Notou a relação entre o brilho do Sol e essas características notadas: quanto mais brilhante a luz solar, menor a umidade e o frio sentidos no toque da maçaneta.
Pelo caminho até o prédio da comida ruim, das distrações e professoras tristes, e das crianças imitantes, já sentiu Ricardo maior interesse. Nos primeiros dias de aula, notou a quantidade de carros azuis. Amarelos. Brancos. Pretos. Cinzas. Rosas. Por rua. Por minuto. Com adesivos. Desgastado o tópico carro, passou às pessoas. Quantas são gordas. Magras. Com roupa azul. Amarela. Branca. Preta. Cinza. Rosa. Sem camiseta. De óculos. Com mochila. De bíblia em mãos. Arrastando-se. Também esgotadas as pessoas, passou a tentar a avaliar as núvens. Porém, padeciam de detalhes exatos, e o interesse por elas se esvaiu. Era o seu quinto dia de aula, e apenas o extraordinário traria algum gosto ao computador da mente de Ricardo. E não foi hoje tal dia. Encontrava-se já em frente ao monótono prédio escolar.
  • criado por  lucasbizarria criado por lucasbizarria
  • Postado em 14:37:34

02.01.08

Ano novo, tudo novo

Renovação, novidade, esperança.
A ascenção do novo, tudo de bom.

Mas a mente continua amarrada a velhos e, pelo visto, grossos e resistentes grilhões.

A exemplificar a religião, formalmente não mais una com o Estado, mas um fator não apenas cultural, de identidade do povo, e sim um fator de imposição moral, com ideais pretensos a controlar a vida das sociedades humanas, acontecendo em escala global. Vide nos EUA, nos quais, em alguns estados, ateus não podem testemunhar em tribunais, ou igrejas e outros agrupamentos religiosos tentam reconciliar o laço Estado-Igreja (porém, não necessariamente A Igreja, mas qualquer igreja).

As velhas intolerâncias resistem ao passar dos anos. Uma das mais cruéis entre essas é a contra os povos árabes. Detentores de uma cultura que exalta o conhecimento e o discernimento, salvadores do conhecimento ocidental, seres humanos de grande saber, são castigados pelo preconceito da generalização, devido aos atos de uns poucos que se identificam com a mesma fé deles. E não só contra os árabes se encontra tais discriminações. Latinos, negros, pobres, iletrados, ateus etc.

A desconfiança permeia muitos povos. Pela história, podemos filtrar idéias e exemplos para não tornar a cometer atos contra o desenvolvimento humano. Mas essa é utilizada justamente para o fim inverso, a fim de formentar conflitos, que podem culminar em guerras, ou a simples ignorância do passado.

Com tanta renovação, desejo a todos um feliz ano novo.
  • criado por  lucasbizarria criado por lucasbizarria
  • Postado em 14:09:28