Andando pela terra, era possível enxergar os lares alheios, se houvesse suficiente aproximação. A posição superior causava uma sensação de controle, pelo fato do dono do buraco nada poder contra o espião, a não ser que ele deixasse sua morada, fato extraordinário entre eles. Eis a motivação mais básica.
Esse tipo de andarilho desenvolve grande curiosidade sobre os lares alheios. São as pessoas com grande interesse em outras pessoas, e sabem bem como funciona o pensamento, são sensitivas, muitas vezes não sabendo expressar esse tipo de talento. Mas em compensação, não tem um conhecimento sobre o próprio buraco, entendem facilmente os sentimentos e os pensamentos de outros, mas dificilmente o próprio.
Uma característica interessante dos lares é a possibilidade de se tornarem covis. Tal fato ocorre quando um morador, dotado de grande carisma, sai do buraco e convence outros a mudarem para sua casa. Nisso, ela tem o pequeno volume expandido. O dono do lar continua onipotente, porém os hóspedes não exercem mais poderem ilimitados no buraco, apesar de ainda terem a escolha de poderem retornarem aos antigos lares. O que os prende em um lugar no qual não exercem sua plena potência é o carisma e a ideologia do hospedeiro. Assim são formados os covis.
Muitas pessoas detém um grande carisma, e levam outros a se absterem de sua capacidade criativa e até parte de seu livre arbítrio em prol daquela personalidade forte. As pessoas manipulativas chegam a um ponto de ter, como na analogia, essas pessoas dentro do seu domínio mental. Seus cativos são atraídos pela luz do carisma e manipulação. E apenas isso os mantém lá. Muitas religiões tem entre seus defensores e organizadores esse tipo de manipulador.
Pelas terra exteriores, não há senhor nem governante, e todos são sujeitos à regras comuns. E a maior singularidade do mundo é a independência de seus habitantes. Essa característica produz uma variedade de situações, muitas das quais inéditas aos subterrâneos. A experimentação dessas novas informações é a motivação para mais dois ambulantes: alguns apreciam tanto as novas experiências, a ponto de não voltarem mais aos seus buracos. São chamados os sem rumo por uns, ou curiosos sem lar por outros. Ainda há os de aguçada curiosidade, porém ainda retém laços com os lares. Eles voltam para os buracos, e com o aprendizado adquirido durante as caminhadas, empreendem modificações ímpares nos lares, como reflexo da inspiração de fenômenos alheios à vontade deles. São chamados vaidosos por uns, ou sábios escultores por outros.
As pessoas que adquirem conhecimento na realidade e usam sua capacidade de imaginação em conjunto com as informações aprendidas com a realidade são aqui apresentadas. Elas são malquistas por alguns, os apegados com o mundo idealizado, chamadas vaidosas por estes. Mas são dessas as maiores idéias.