Blog do Lucas para textos

Feito para colocar meus textos, e não os esquecer.

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Arquivo de: Novembro 2007

26.11.07

Capítulo 1 Simplicidade AL

Pela manhã, alguns minutos após as 8:00h, Ana Clara Viana, deixando de lado os afazeres matutinos da casa, acende a luz de um pequeno quarto, com espaço de tal modéstia a ponto de comportar uma cama de criança de madeira barata, colchão doado não pelos melhores párocos, mas por esses cuja pressão social os força a ceder alguns bens mal tratados aos desafortunados. Competindo com o leito, há uma cômoda com origens semelhantes as do colchão, e de muito que habita esse lar. Com olhos abertos e fixos no teto com remendos rachados e pintura incompleta, esperava deitado na desconfortavelmente humilde caminha Ricardo Teixeira Viana. Antes de Ana dar luz ao cômodo, já vinha ele a contar o tempo. Entre suas capacidades, nada invejadas pelo círculo dos intitulados normais, estava a de cronometrar melhor que um relógio despertador. Já se convenceu disso ao contar por um longo tempo, com o relógio acertado, e depois consultar o Hora Certa e ter seu resultado mais próximo comparado à máquina. Um dia glorioso.
- Ricardinho, vêm pro desjejum! Daqui a pouco vai pra escola.
Mamãe atrasou alguns segundos para preparar o café. Ricardo tinha um número preciso em mente. Costumava comunicar isso à mãe, mas visto a irritação causada a ela por qualquer assunto relacionado à contagem, lógica ou razão, deixou de passar-lhe seus últimos feitos. Assim, a comunicação entre mãe e filho foi severamente encurtada.
Ana Clara não apenas desconfiava do pensamento matemático, mas fora instruída de modo a evitá-lo deliberadamente. Uma criação rural, somada a um cristianismo um tanto distorcido e limitante, a levou a deixar a vida nas mãos do Senhor. Mesmo após o forçado êxodo rural, dificuldades financeiras e a vinda do pequeno acidente ao qual chamava agora.
Após levantar e colocar uma camiseta vermelha, desbotada e sem estampa, andou o pequeno pelo úmido corredor que conecta todos os outros três cômodos da casa. Mais se assemelha a um quadrado apertado e vazio.
Na cozinha, pôs-se sentado, a refletir sobre as diferenças entre as texturas das paredes de vários prédios anteriormente vistos por ele e as do próprio lar. Aprofundava a análise mental a ponto de experimentar com os sentidos mentalmente. Fazia das superfícies de sua casa ásperas, por vezes úmidas e desgastadas, enquanto as da escola lembravam regularidade e constância. Essas questões para ele brilhavam a ponto de ofuscar os motivos daquela diferença. Quando determinada reflexão levava a relações entre humanos, Ricardo acuava-se, incapaz de lidar com tal lógica, enquanto esta não lidasse apenas com mensurações exatas, com as quais era familiar e natural.
  • criado por  lucasbizarria criado por lucasbizarria
  • Postado em 13:58:22

Explicação 3 3

A penumbra constante não impede os cavadores de explorar o exterior, devido a uma habilidade intrínseca a todos eles: são fontes de luz. Tudo pode ser visto e conhecido, mas há uma limitação: o brilho é inversamente proporcional à abrangência da luz. Assim, pode-se ver muito longe, mas com uma fraca iluminação, e enxerga-se bem apenas pequenas porções de terra. Ocorrem, raramente, de alguns seres terem a capacidade de ver longe e com clareza, mas as excessões são uma por geração.
A luz emanada do corpo dos habitantes é a interpretação análoga à capacidade de nosso poder de retirar informações do meio. Podemos contemplar a realidade com nossa própria ótica, porém não podemos ver muito longe com clareza. Isso significa que para fazer uma análise mais profunda sobre um tópico, devemos concentrar nossa atenção em uma pequena porção da realidade. Mas podemos ver mais de longe com uma luz mais fraca. Isso equivale a uma análise geral de um tema abrangente, mas sem aprofundamento. E existem os raros casos de pessoas que conseguem enxergar de longe com grande clareza. Casos raros.
Todos os integrantes do povo subterrâneo têm um mínimo de contato com as terras de fora. Eles nascem no exterior dos lares, e não podem controlar a luz por eles emanada nos primeiros momentos de vida. As primeiras visões são as mais importantes. Mas ocorre de alguns, por motivos aleatórios, verem muito pouco e já terem um buraco. Esses tem as mais exóticas, por vezes alienígenas, manifestações de criatividade em seus lares.
Todo ser humano deve ter um mínimo de contato com a realidade. Por mais perturbada que seja uma mente, ainda assim ela apresentará uma influência do meio. Os seres que rapidamente vão para seus buracos sem praticamente nada sobre a realidade aprenderem acabam por apresentarem uma mentalidade quase independente do funcionamento da realidade, formando pessoas com idéias muito diferentes, por vezes incompreensíveis.
Aqui foram enunciados o funcionamento e as peculiaridades do mundo e da população desse, cuja complexidade (e às vezes simplicidade) podem ser usadas como uma analogia da mente.
Fim.
  • criado por  lucasbizarria criado por lucasbizarria
  • Postado em 13:25:21

20.11.07

Explicação 2 3


Andando pela terra, era possível enxergar os lares alheios, se houvesse suficiente aproximação. A posição superior causava uma sensação de controle, pelo fato do dono do buraco nada poder contra o espião, a não ser que ele deixasse sua morada, fato extraordinário entre eles. Eis a motivação mais básica.
Esse tipo de andarilho desenvolve grande curiosidade sobre os lares alheios. São as pessoas com grande interesse em outras pessoas, e sabem bem como funciona o pensamento, são sensitivas, muitas vezes não sabendo expressar esse tipo de talento. Mas em compensação, não tem um conhecimento sobre o próprio buraco, entendem facilmente os sentimentos e os pensamentos de outros, mas dificilmente o próprio.
Uma característica interessante dos lares é a possibilidade de se tornarem covis. Tal fato ocorre quando um morador, dotado de grande carisma, sai do buraco e convence outros a mudarem para sua casa. Nisso, ela tem o pequeno volume expandido. O dono do lar continua onipotente, porém os hóspedes não exercem mais poderem ilimitados no buraco, apesar de ainda terem a escolha de poderem retornarem aos antigos lares. O que os prende em um lugar no qual não exercem sua plena potência é o carisma e a ideologia do hospedeiro. Assim são formados os covis.
Muitas pessoas detém um grande carisma, e levam outros a se absterem de sua capacidade criativa e até parte de seu livre arbítrio em prol daquela personalidade forte. As pessoas manipulativas chegam a um ponto de ter, como na analogia, essas pessoas dentro do seu domínio mental. Seus cativos são atraídos pela luz do carisma e manipulação. E apenas isso os mantém lá. Muitas religiões tem entre seus defensores e organizadores esse tipo de manipulador.
Pelas terra exteriores, não há senhor nem governante, e todos são sujeitos à regras comuns. E a maior singularidade do mundo é a independência de seus habitantes. Essa característica produz uma variedade de situações, muitas das quais inéditas aos subterrâneos. A experimentação dessas novas informações é a motivação para mais dois ambulantes: alguns apreciam tanto as novas experiências, a ponto de não voltarem mais aos seus buracos. São chamados os sem rumo por uns, ou curiosos sem lar por outros. Ainda há os de aguçada curiosidade, porém ainda retém laços com os lares. Eles voltam para os buracos, e com o aprendizado adquirido durante as caminhadas, empreendem modificações ímpares nos lares, como reflexo da inspiração de fenômenos alheios à vontade deles. São chamados vaidosos por uns, ou sábios escultores por outros.
As pessoas que adquirem conhecimento na realidade e usam sua capacidade de imaginação em conjunto com as informações aprendidas com a realidade são aqui apresentadas. Elas são malquistas por alguns, os apegados com o mundo idealizado, chamadas vaidosas por estes. Mas são dessas as maiores idéias.
  • criado por  lucasbizarria criado por lucasbizarria
  • Postado em 13:50:11

19.11.07

Explicação do texto Uma analogia da mente

Será dividida em 3 partes.
Um dia houve um lugar no qual não existia Sol.
O exterior do mundo é a analogia da realidade. Assim, a escuridão denota o esforço próprio necessário para se compreender a realidade, e a dificuldade que pode ser encontrada ao se empreeender tal feito.
Seus habitantes cavavam buracos no solo, e dentro deles tinham completo domínio sobre todos os aspectos, desde a iluminação, até a aparência, o conforto e a subsistência e segurança do local. Mas o poder desses seres era limitado àquele pequeno volume. Além das cavernas, todos eram sujeitos as mesmas leis existenciais, em uma realidade independente da vontade deles.
O buraco representa a imaginação e a criatividade das pessoas. Dentro dos limites da mente, representada pelo volume do buraco, não há limitações para os poderes criativos. Mas fora dele, a realidade impõe suas regras, o que a torna desagradável para muitas pessoas afeçoadas com um mundo idealizado criada em suas mentes.
A escuridão do exterior e a impotência imposta pelo ambiente tornavam as terras de fora desinteressantes, e para os mais apegados com seu buraco, o mundo era uma ameaça, fonte de medos e pesadelos.
Essa escuridão, como dito anteriormente, nem sempre condiz com os desejos ideais dos seres. E também há o esforço necessário para enxergar na escuridão, então justifica-se o desapego à realidade de muitas pessoas.
Ainda assim, haviam alguns, com variados motivos, os quais se aventuravam pela escuridão. Dessas motivações, algumas merecem destaque por suas peculiaridades.
No próximo post, descrevo os estereótipos de pensamento que podem ser explicados pela analogia aqui contemplada.
  • criado por  lucasbizarria criado por lucasbizarria
  • Postado em 16:07:15

16.11.07

Uma analogia da mente

Um texto que escrevi que faz uma comparação entre a mente humana e um planeta com física diferente da nossa. no próximo post, explico o texto detalhadamente.

Uma analogia da mente

Um dia houve um lugar no qual não existia Sol. Seus habitantes cavavam buracos no solo, e dentro deles tinham completo domínio sobre todos os aspectos, desde a iluminação, até a aparência, o conforto e a subsistência e segurança do local. Mas o poder desses seres era limitado àquele pequeno volume. Além das cavernas, todos eram sujeitos as mesmas leis existenciais, em uma realidade independente da vontade deles.

A escuridão do exterior e a impotência imposta pelo ambiente tornavam as terras de fora desinteressantes, e para os mais apegados com seu buraco, o mundo era uma ameaça, fonte de medos e pesadelos.

Ainda assim, haviam alguns, com variados motivos, os quais se aventuravam pela escuridão. Dessas motivações, algumas merecem destaque por suas peculiaridades.

Andando pela terra, era possível enxergar os lares alheios, se houvesse suficiente aproximação. A posição superior causava uma sensação de controle, pelo fato do dono do buraco nada poder contra o espião, a não ser que ele deixasse sua morada, fato extraordinário entre eles. Eis a motivação mais básica.

Uma característica interessante dos lares é a possibilidade de se tornarem covis. Tal fato ocorre quando um morador, dotado de grande carisma, sai do buraco e convence outros a mudarem para sua casa. Nisso, ela tem o pequeno volume expandido. O dono do lar continua onipotente, porém os hóspedes não exercem mais poderem ilimitados no buraco, apesar de ainda terem a escolha de poderem retornarem aos antigos lares. O que os prende em um lugar no qual não exercem sua plena potência é o carisma e a ideologia do hospedeiro. Assim são formados os covis.

Pelas terra exteriores, não há senhor nem governante, e todos são sujeitos à regras comuns. E a maior singularidade di mundo é suaindependência de seus habitantes. Essa característica produz uma variedade de situações, muitas das quais inéditas aos subterrâneos. A experimentação dessas novas informações é a motivação para mais dois ambulantes: alguns apreciam tanto as novas experiências, a ponto de não voltarem mais aos seus buracos. São chamados os sem rumo por uns, ou curiosos sem lar por outros. Ainda há os de aguçada curiosidade, porém ainda retém laços com os lares. Eles voltam para os buracos, e com o aprendizado adquirido durante as caminhadas, empreendem modificações ímpares nos lares, como reflexo da inspiração de fenômenos alheios à vontade deles. São chamados vaidosos por uns, ou sábios escultores por outros.

A penumbra constante não impede os cavadores de explorar o exterior, devido a uma habilidade intrínseca a todos eles: são fontes de luz. Tudo pode ser visto e conhecido, mas há uma limitação: o brilho é inversamente proporcional à abrangência da luz. Assim, pode-se ver muito longe, mas com uma fraca iluminação, e enxerga-se bem apenas pequenas porções de terra. Ocorrem, raramente, de alguns seres terem a capacidade de ver longe e com clareza, mas as excessões são uma por geração.

Todos os integrantes do povo subterrâneo têm um mínimo de contato com as terras de fora. Eles nascem no exterior dos lares, e não podem controlar a luz por eles emanada. As primeiras visões são as mais importantes. Mas ocorre de alguns, por motivos aleatórios, verem muito pouco e já terem um buraco. Esses tem as mais exóticas, por vezes alienígenas, manifestações de criatividade em seus lares.

Aqui foram enunciados o funcionamento e as peculiaridades do mundo e da população desse, cuja complexidade (e às vezes simplicidade) podem ser usadas como uma analogia da mente.
  • criado por  lucasbizarria criado por lucasbizarria
  • Postado em 00:45:06